Leilão histórico de reserva de capacidade contrata 19 mil MW e garante segurança energética do Brasil
Redação Brasil BESS
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Um marco histórico para a segurança energética brasileira foi alcançado em 18 de março de 2026 com a realização do primeiro leilão de contratação de reserva de capacidade na modalidade de potência (LRCap) para 2026. Organizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), em colaboração com o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o certame contou com 100 empresas vencedoras.
Números do maior leilão de térmicas da história
Foram contratados 18,9 mil megawatts (MW) de uma potência instalada de 29,7 mil MW, gerando um montante total de R$ 515,7 bilhões em receita, R$ 64 bilhões em investimentos previstos e uma economia estimada em R$ 33,6 bilhões.
A sessão inicial deste que é considerado o leilão mais importante do ano para o país ocorreu de forma virtual na sede da CCEE, em São Paulo. A iniciativa acontece em um contexto de elevação nos preços dos combustíveis, influenciado pelo conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que impacta rotas de exportação de petróleo como o Estreito de Ormuz.
Objetivo: segurança e confiabilidade do sistema
O leilão de reserva de capacidade tem como finalidade assegurar a potência firme e a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), prevenindo falhas no fornecimento de energia elétrica. O objetivo é garantir que o sistema elétrico nacional disponha de usinas prontas para operar em momentos de pico de demanda, como no início da noite.
A primeira edição do leilão LRCap nº 01, realizada em 2021, negociou 4,6 gigawatts (GW) de potência, equivalente a um terço da capacidade da usina de Itaipu Binacional.
Já o LRCap nº 02, concluído em 18 de março de 2026, contratou potência de usinas hidrelétricas e termelétricas, utilizando carvão natural e gás natural. As termelétricas entram em operação quando as usinas hidrelétricas não conseguem atender à demanda. Por utilizarem frequentemente carvão em sua operação, essas usinas apresentam um custo mais elevado para os consumidores e geram maior impacto ambiental.
Declarações do ministro Alexandre Silveira
"Este é um dia histórico para o setor elétrico brasileiro e para os próximos 10 anos da segurança energética do Brasil. Realizamos o maior leilão de térmicas da história deste país", declarou Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, que acompanhou o certame em São Paulo.
Em declarações à imprensa pouco antes do encerramento do leilão, o ministro ressaltou que os acordos firmados resolvem a questão da potência do sistema energético brasileiro.
"Ao contratar uma térmica, estamos falando não apenas de segurança energética, mas também de tarifas mais baixas para o consumidor. Uma coisa é contratar uma térmica com custo fixo, disputada em leilão público. Outra é ser acionada de forma emergencial, com um custo muito superior", explicou Silveira.
O ministro expressou a expectativa de que este seja um dos últimos leilões de energia não renovável a serem contratados pelo governo, sinalizando a transição para fontes mais limpas nos próximos certames.
Estrutura do leilão: 7 rodadas e múltiplos produtos
O leilão foi organizado em sete rodadas, ofertando seis tipos de produtos de termelétricas e dois de hidrelétricas. Cada rodada foi estruturada pelo ano de início do fornecimento dos empreendimentos a serem contratados.
Primeira rodada - Potência Termelétrica 2026
Contratação de termelétrica existente a gás natural conectada ao Sistema de Transporte de Gás Natural (STGN) e termelétrica existente a carvão mineral.
- Início do fornecimento: 1º de agosto de 2026
- Período: 10 anos
- Preço: R$ 2.205.220,10/MW/ano (deságio de 1,99%)
Segunda rodada - Potência Termelétrica 2027
Contratação de termelétrica existente a gás natural conectada ao STGN e termelétrica existente a carvão mineral.
- Início do fornecimento: 1º de agosto de 2027
- Período: 10 anos
- Preço: R$ 2.249.995,00/MW/ano
Terceira rodada - Potência Termelétrica 2028
Contratação de termelétrica nova ou existente a gás natural, conectada ou não ao STGN, e termelétrica existente a carvão mineral.
- Início do fornecimento: 1º de outubro de 2028
- Período: 10 anos (existentes) / 15 anos (novas)
- Preço: R$ 2.718.999,37/MW/ano (deságio de 6,24%)
Quarta rodada - Potência Termelétrica 2029
Contratação de termelétrica nova ou existente a gás natural, conectada ou não ao STGN, e termelétrica existente a carvão mineral.
- Início do fornecimento: 1º de agosto de 2029
- Período: 10 anos (existentes) / 15 anos (novas)
- Preço: R$ 2.890.000,00/MW/ano
Quinta rodada - Potência Termelétrica 2030
Contratação de termelétrica existente ou nova a gás natural, conectada ou não ao STGN, e termelétrica existente a carvão mineral.
- Início do fornecimento: 1º de agosto de 2030
- Período: 10 anos (existentes) / 15 anos (novas)
- Preço: R$ 1.395.000,00/MW/ano (deságio de 0,36%)
Sétima rodada - Dois produtos
Produto Potência Termelétrica 2031:
- Início do fornecimento: 1º de agosto de 2031
- Período: 10 anos (existentes) / 15 anos (novas)
- Preço: R$ 2.428.308,31/MW/ano (deságio de 16,27%)
Produto Potência Hidrelétrica 2031: Contratação para instalação de novas unidades geradoras adicionais em usinas hidrelétricas existentes.
- Início do fornecimento: 1º de agosto de 2031
- Período: 15 anos
- Preço: R$ 1.400.000,00/MW/ano (sem deságio)
Próximo leilão: termelétricas a óleo e biodiesel
O próximo leilão, LRCap nº 03, está agendado para sexta-feira, 20 de março, e focará em termelétricas movidas a óleo diesel, óleo combustível e biodiesel. Foram registrados 38 projetos, somando 5.890 MW, sendo 18 de termelétricas a óleo e 20 de termelétricas a biodiesel.
Concorrência e preocupações com custos
Em novembro de 2025, a ANEEL informou que 330 projetos se apresentaram para o certame de 18 de março, totalizando 120.386 MW. Desses inscritos, 311 eram projetos de termelétricas a gás natural, três de termelétricas a carvão e 16 de ampliações de usinas hidrelétricas.
A Abrace Energia, entidade que representa grandes consumidores de energia, apoiou a realização do leilão de capacidade para fortalecer a segurança do sistema elétrico, mas defendeu um limite de 10 GW na contratação para evitar o aumento de custos para os consumidores.
"Este leilão não representa a primeira nem a última oportunidade para o país contratar flexibilidade. Quanto maior o volume contratado, maior o encargo e, consequentemente, maior o custo para os consumidores brasileiros", alertou a Abrace.
Futuro leilão de baterias não será prejudicado
Apesar da contratação robusta de cerca de 19 GW em disponibilidade de potência de termelétricas e hidrelétricas, a demanda do futuro leilão de reserva de capacidade voltado para baterias não será afetada, segundo o secretário-executivo do MME, Gustavo Ataíde.
"O leilão de baterias está dentro do nosso horizonte sim e fizemos questão de não prejudicar a contratação das baterias, que terão um papel fundamental no nosso sistema", afirmou Ataíde.
O ministro Alexandre Silveira prometeu publicar as diretrizes do leilão de baterias em abril de 2026, confirmando que o certame é "um tema muito caro" ao governo.
Impacto na segurança energética do Brasil
Este leilão histórico representa um passo fundamental para garantir a segurança energética do Brasil na próxima década. Com quase 19 GW de potência contratada, o país se prepara para enfrentar períodos de alta demanda e garantir a estabilidade do Sistema Interligado Nacional.
A diversificação entre termelétricas e hidrelétricas, somada à perspectiva de um futuro leilão específico para baterias, mostra uma estratégia integrada de expansão da capacidade de reserva de potência do país.
Embora as termelétricas a combustíveis fósseis ainda sejam necessárias para garantir a segurança do sistema, a expectativa do governo é que os próximos certames priorizem fontes mais limpas e sustentáveis, incluindo sistemas de armazenamento em baterias.
Fontes: PB Alerta/Agência Brasil, MegaWhat
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